terça-feira, 4 de dezembro de 2012

As moradias dos trabalhadores

As novas casinhas operárias da Rua do Senado - Centro- Rio de Janeiro
Ano da Fotografia: 1906
Autor: Augusto Malta
Localização da Fonte: Fundação Casa de Rui Barbosa.In:CIAVATTA, Maria. O Mundo do Trabalho em  Imagens: A Fotografia como Fonte Histórica (Rio de Janeiro, 1900-1930).Rio de Janeiro. DP&A, 2002.




Os trabalhadores viviam com suas famílias em locais pequenos e insalubres, sujeitos a doenças causadas pelas precárias condições higiênicas e os moradias abafadas, em que a circulação do ar quase não existia. Os trabalhadores estavam destinados a miséria, e abandonados pelo governo e pelos empregadores.

Jornal Operário: Uma voz a serviço das classes trabalhadoras

‘Carapuças’. In: O Graphico,Rj,15/03/1916.In: ALVES. Teresa Vitória Fernandes. “O Gráphico”: Representações da vida e da sociedade do Brasil da Primeira República.. 2007. 137 páginas. Dissertação de Mestrado – PPGH, UFJF.
    No Brasil do século XX a imprensa foi um meio de comunicação utilizado pelos operários, na tentativa de sensibilizar as autoridades governamentais e os empregadores na conquista de direitos como: jornada de trabalho de 8 horas, regulamentação do trabalho das mulheres e dos menores.
   Sobre as denúncias com relação as mazelas que o excesso de trabalho nas tipografias poderia causar, destacamos um artigo do jornal O Graphico.


"Sebos e fregos onde se procura imitar a arte tipográfica, com grande prejuízo da estética e a competente exploração de menores, há os em quantidade infelizmente bastante numerosa, e assim, esses menores que mal sabem as primeiras letras do alfabeto, e, na generalidade, muito menos gramática, são atirados em oficinas sem luz nem espaço, verdadeiras furnas, onde a tuberculose destrói o organismo, e a educação é a pior possível pois há patrões que chamam os operários por nomes obscenos, e indignos de ser proferidos em um lugar onde se pratica o trabalho; apar de tudo isso que aprendizagem podem ter esses menores?"


A transição do trabalho escravo para o trabalho livre





   No contexto de mudança do regime político de monarquista para republicano no Brasil do final do século XIX, também ocorreu a transformação da ideia de trabalho. Com a abolição da escravatura a imagem do trabalhador livre precisa ser forjada e a necessidade de disciplinar esses homens, mulheres e crianças que passavam a ser a principal força de trabalho na República brasileira.
    Com a passagem de século foi consolidada a nova relação de trabalho entre a burguesia industrial brasileira, a elite dirigente, e os operários que constituíam a massa de trabalhadores no Brasil. Os empregados fabris trabalhavam em jornadas de trabalho que podiam chegar até a 14 horas por dia e para sobreviver era preciso contar com toda a família ocupando alguma função na fábrica, fosse para conquistar a melhor casa na vila operária e principalmente para garantir a sobrevivência dos membros familiares.
  A utilização de crianças e adolescentes foi uma prática corrente em alguns segmentos fabris, como as vidraçarias.

Os meninos na seção dos fornos da vidraçaria. 
In:MOURA, Esmeralda Blanco Bolsonaro de. “ Crianças Operárias Na Recém-Industrializada São Paulo” In: PRIORE, Mary Del. História das Crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 2008.
  Os acidentes de trabalho eram constantes, levando geralmente ao óbito e a mutilações de partes do corpo. Uma das reivindicações das greves operárias de 1917 e 1919 era a regulamentação do trabalho do menor nas oficinas e fábricas deste período. Conquistando num momento de maior preocupação com a necessidade de garantir alguns direitos aos trabalhadores, foi aprovado um Código de Menores em 1927.