Os trabalhadores viviam com suas famílias em locais pequenos e insalubres, sujeitos a doenças causadas pelas precárias condições higiênicas e os moradias abafadas, em que a circulação do ar quase não existia. Os trabalhadores estavam destinados a miséria, e abandonados pelo governo e pelos empregadores.
Uma reflexão sobre o Trabalho Infantil na República Velha.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Jornal Operário: Uma voz a serviço das classes trabalhadoras
No Brasil do século XX a imprensa foi um meio de comunicação utilizado pelos operários, na tentativa de sensibilizar as autoridades governamentais e os empregadores na conquista de direitos como: jornada de trabalho de 8 horas, regulamentação do trabalho das mulheres e dos menores.
Sobre as denúncias com relação as mazelas que o excesso de trabalho nas tipografias poderia causar, destacamos um artigo do jornal O Graphico.
Sobre as denúncias com relação as mazelas que o excesso de trabalho nas tipografias poderia causar, destacamos um artigo do jornal O Graphico.
"Sebos
e fregos onde se procura imitar a arte tipográfica, com grande prejuízo da
estética e a competente exploração de menores, há os em quantidade infelizmente
bastante numerosa, e assim, esses menores que mal sabem as primeiras letras do
alfabeto, e, na generalidade, muito menos gramática, são atirados em oficinas
sem luz nem espaço, verdadeiras furnas, onde a tuberculose destrói o organismo,
e a educação é a pior possível pois há patrões que chamam os operários por
nomes obscenos, e indignos de ser proferidos em um lugar onde se pratica o
trabalho; apar de tudo isso que aprendizagem podem ter esses menores?"
A transição do trabalho escravo para o trabalho livre
No contexto de mudança do regime político de monarquista para republicano no Brasil do final do século XIX, também ocorreu a transformação da ideia de trabalho. Com a abolição da escravatura a imagem do trabalhador livre precisa ser forjada e a necessidade de disciplinar esses homens, mulheres e crianças que passavam a ser a principal força de trabalho na República brasileira.
Com a passagem de século foi consolidada a nova relação de trabalho entre a burguesia industrial brasileira, a elite dirigente, e os operários que constituíam a massa de trabalhadores no Brasil. Os empregados fabris trabalhavam em jornadas de trabalho que podiam chegar até a 14 horas por dia e para sobreviver era preciso contar com toda a família ocupando alguma função na fábrica, fosse para conquistar a melhor casa na vila operária e principalmente para garantir a sobrevivência dos membros familiares.
A utilização de crianças e adolescentes foi uma prática corrente em alguns segmentos fabris, como as vidraçarias.
Os acidentes de trabalho eram constantes, levando geralmente ao óbito e a mutilações de partes do corpo. Uma das reivindicações das greves operárias de 1917 e 1919 era a regulamentação do trabalho do menor nas oficinas e fábricas deste período. Conquistando num momento de maior preocupação com a necessidade de garantir alguns direitos aos trabalhadores, foi aprovado um Código de Menores em 1927.
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